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Estudante brasileiro participará de cúpula climática na ONU

Engana-se quem pensa que a geração dos anos 2000, nascida e criada tão próxima do mundo virtual, pouco se interessa pelo futuro real. De olho nos problemas climáticos e em busca de soluções, o estudante gaúcho João Pedro Corrêa Eboli, 13 anos, participou de um concurso que mobilizou jovens do mundo inteiro. Único brasileiro selecionado, se juntará a outros sete meninos e meninas que participarão da Cúpula do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), em 23 de setembro, nos Estados Unidos.

Joao Pedro Promovido pela Climate Reality Project, ONG fundada pelo ex-vice presidente dos EUA Al Gore, o projeto pedia que os candidatos gravassem um pequeno vídeo onde questionavam os governos sobre como agir diante dos efeitos das mudanças climáticas (veja o vídeo gravado por João Pedro abaixo). Intitulada “Por quê? Por que não?”, a campanha foi lançada em agosto.

“Foi muito simples, gravei na sala de casa. Na época não tinha falado para ninguém. Montei umas ideias, não decorei nada, foi bem espontâneo. Gravei e mandei”, conta ao G1 o menino. “Fugi do arroz e feijão. Todo mundo falava na queima de combustíveis fósseis. Eu digo que se a Amazônia for desmatada, vai secar toda a região”, afirma.

De Porto Alegre, o adolescente embarcará para Nova York no dia 21. Ele não só representará o Brasil, mas a América Latina, junto a outros participantes da África, Austrália, Índia, Filipinas, Reino Unido e EUA no evento que terá a presença de 120 chefes de Estado, incluindo o presidente norte-americano Barack Obama e a presidente da República, Dilma Rousseff.

Interessado em ecologia e sustentabilidade, o adolescente inscreveu-se forma despretensiosa no projeto. Em seu discurso, defende o desenvolvimento de um plano de silvicultura, para estimular a plantação de árvores, e mostra preocupação com o desmatamento da Amazônia. “Participando eu mostro a minha voz. Acho que desta forma posso tentar ajudar”, diz.

No vídeo, com duração de 1 minuto e 7 segundos, João Pedro fala, em português, sobre os efeitos do aquecimento global e as consequências da repetina mudança climática. Cita a histórica seca que atinge São Paulo, o esvaziamento dos reservatórios e a falta de água frequente, além da estiagem que gera prejuízos econômicos.


“Nós temos uma boa parte da natureza do mundo aqui no Brasil. Mas o Brasil não coopera para o ambiente sustentável. Países como a Dinamarca têm pouquíssima natureza e mesmo assim é um dos países mais ecológicos do mundo”, opina.

Nos Estados Unidos, a agenda do adolescente vai incluir uma série de entrevistas com a imprensa norte-americana, além da participação no evento. “Estou ansioso. A minha turma já me considera um representante deles”, resume, otimista, sobre o grande dia.

Interesse no assunto é estimulado na escola

Bem articulado, o adolescente conta que o interesse em sustentabilidade é estimulado dentro do ambiente escolar. São nas aulas da disciplina de ensino religioso que o assunto surge com mais intensidade.
“Meu professor me apresentou a obra do Al Gore e o trabalho dele na ONG. Eu fui me interessando e pesquisando cada vez mais. Ele me incentivou muito para esse assunto. É quase uma aula de Ciências Sociais”, brinca.
Questionado sobre fazer parte de uma geração pouco atenta aos problemas atuais do mundo, João Pedro discorda. “Não acho. Inclusive, acho que a minha geração gosta muito de discutir, de dar opinião sobre tudo”, sustenta.
A atividade, inclusive, inspira o adolescente, que cogita ser professor ou político quando crescer. “Com certeza a sustentabilidade seria uma bandeira forte que eu defenderia”, projeta.

 

Fonte: Portal G1